À TERRA MÃE
De meus irmãos, e minha
Pátria nossa, nossa terra
Hei-de de cantar um hino,
sem tristes de melancólicos
nem sorrisos por irónicos,
Um hino… que cantará nos cantos de África,
e contará bem-aventurados de seu povo
nas noites, madrugadas, nas andanças de dias;
ainda que as vozes se calarem
sequestradas pela voz do silêncio…
Um hino que seja que mereces, amada terra mãe.
Cantarei um hino,
que habitará canção entre as aves
nos ares sobre verdejantes campos;
que será canção entre as vidas nas águas,
e brisa às pátrias (corações) de povos,
que hão-de viver no trilhar dos ventos.
Na vida de sol, e pós-chuvas,
que hão-de viver que vive uma história.
Magnos cantarão grande
só à alma da carne morta,
que vivem e hão-de viver ínfima viva
na terra mãe… na terra de poetas
Desterrados e filhos hão-de voltar.
O CALOR DA CHUVA
Aquece o chão da terra fria
antes seca do que cheira a saudade
e do canto das esperanças
entre o verde na voz dos campos
saboreando e fecundar das raízes.
Refresca de cansados
(se a sede de morrer consome)
E retoma estrada aos peregrinos da vida.
Um quarto de pintar a dor
(ausente na presença do mundo)
de lágrimas amargas.
É o calor da chuva
uma lareira cheia de caminhos às jornadas
entre os tempos mortos, vivos e que se podem sonhar.
QUEIRA QUERER-ME
Quero-te, antes de cada lua o céu
Quero-te, antes do pôr-do-sol o mar
E amo-te, antes de cada querer meu.
À PORTA DA CASA
havia um caminho
cuja beira era a nossa varanda
(às vezes cheia de saudades,
vezes outras cheias de ausências),
então, passavam homens
passavam mulheres
e passavam várias idades
não podíamos contar os sonhos
porque não tinham nem gênero
nem idade, nem raça.
Vivos ou mortos,
cada caminhante é uma terra cheia de sonhos.
O SABIÁ-LARANJEIRA
Canta canta, o sabiá-laranjeira
desde a aurora, na madrugada
desde o sol, ao seu beijo no mar,
do alpendre, lá no Rochedo da Serra,
uma canção só, órfã de souris
entre o xadrez de um homem livre.
Antes era a liberdade canora
que então seu sedento desejo.
ESTA PAZ QUE CANTO AGORA
Só trago nas molduras das esperanças
pois que a arte que ela guarnece
é pintada de tons de nublar os olhos
de negrura,
de trovejar a alma
e de trazer cantos de recém-viúva
no infinito quarto
(da primeira noite isolada)
Com vozes que deixam sal
no cais à beira das janelas da alma.

José Manuel Francisco Franco, ou Zé Franco simplesmente, é escritor, poeta internacional angolano, natural de Malanje, nasceu a 31 de Maio de 1996. É, desde cedo, apreciador das artes e das suas variadas formas de expressão ao univervo. Parucipou nas colectâneas “A Lusofonia & Eu”, “Liturgia da Esquinas”, “À Margem”, “Moçambique & Eu”, “A Baronesa & Eu”, Colectânea Digital Internacional “Brasil África”, “Livro Internacional Destaque Nordeste (livro biográfio). Tem ainda participações (e participa) em diversas revistas literárias, como “Casa de Escritores”, revista brasileira “Barbante”,Revista Internacional “Netrazol Literary Magazine” (de Bangladesh), revista “Ecos da Palavra” (de Portugal),“Lavra… Boletim de Poesia” (de Portugal),revista Literária “Epifania” (do Brasil), revista “Animalista” (do Brasil), revista “ANIM´ARTE” (de Portugal). Conta com reconhecimento no Brasil e a nível internacional, tendo sido distinguido com prémios, moções de reconhecimento e títulos honoríficos, entre os quais destaca o de “Grão-Mestre das Artes”, além da menção honrosa no Prémio Internacional Pena de Ouro. É autor do livro “Tradutor de Silêncios”, publicado sob a chancela da Editora Filos, com distribuição no Brasil e a nível internacional, através de plantaformas como a Amazon e a Mercado Livre. Hojé, Zé Franco gosta de dizer que é um cidadão do mundo, um africano que nasceu em Angola, terra que continua a ser o chão de que muito se orgulha e donde partem, pousam e pairam também os poucos de si nos caminhos da escrita.
